ler religião

A religião está com as actividades humanas há milhares de anos, levantando polémica e alívio para várias classes de humanos.


Não foi apresentada até agora uma prova irrefutável da existência de Deus ou da Sua não existência, pelo que as decisões sobre acreditar ou não acreditar estão na esfera das decisões individuais.


Visto da nossa perspectiva, ter fé em Deus não é um obstáculo à vida ou actividade científica, assim como não a ter não será garantia de uma vida baseada em conhecimentos científicos.


Este blogue procura apresentar uma visão do mundo fortemente baseada no catolicismo, em que eu creio, mas procurando cobrir a vasta teia de acontecimentos, teorias e ideias com uma perspectiva que não é a de uma catequese ou doutrinação.


terça-feira, 8 de outubro de 2019

Deus






DEUS EXISTE?

Deus, criador do mundo?


Este interrogar constante levará certamente a uma reflexão sobre Deus. No decorrer destas reflexões poderão surgir as seguintes perguntas:

ü  A razão permite-nos demonstrar a existência de Deus?

ü  Como conceber Deus – como um Ser fruto de um raciocínio filosófico e, portanto, abstracto ou como um Ser definido através de uma Revelação e portanto ligado a verdades de fé?

ü  Que relações deveremos ter nós com Deus?


File:Maria Magdalene praying.jpgA maior parte das escolas filosóficas considera a existência de Deus. Todavia esta noção de Deus criada pelo raciocínio tem pouco impacto em nós pois que ela é difícil de compreender pelo contraste com uma escala que nos ultrapassa – Deus é infinito ao contrário da matéria e do tempo que são finitos.

A ideia de Deus só ganha uma força invencível desde que seja acompanhada pela fé proveniente da Revelação. Em geral a fé é uma aderência profunda ao conteúdo dos textos sagrados, mas em certos casos Deus pode manifestar-se através de uma revelação íntima, ou através de manifestações exteriores – profecias e milagres.

Sendo o homem um ser que necessita de sinais, como a palavra e o gesto, para exprimir os seus estados de espírito, terá necessariamente que se relacionar com Deus através de sinais, que pertencem ao rito de cada religião.

Nos capítulos seguintes desenvolveremos estes tópicos com algum detalhe. No capítulo I  faremos a abordagem racional de Deus e mostraremos como a fé nos faz passar de um Deus demonstrado para um Deus revelado. Nos capítulos seguintes discutiremos a noção de Revelação e falaremos de profecias e milagres. Nos últimos capítulos analisaremos as relações do homem com Deus, ou seja como o homem se dirige a Deus.



A razão pode levar-nos até Deus?



O homem possui características o levam a procurar responder a estas questões: a curiosidade e a necessidade de explicar.



Curiosidade


Uma das características mais notáveis do ser humano é a curiosidade. A curiosidade do animal limita-se às suas necessidades directas. O homem interessa-se por tudo. Cada indivíduo tem um centro de curiosidade particular e esta extraordinária variedade de orientações revela no homem uma capacidade de se interessar verdadeiramente excepcional. Esta curiosidade torna-se particularmente evidente no cientista. Começando por .tentar compreender os fenómenos naturais dando-lhes explicações muito simples, procura em seguida através da investigação conseguir um conhecimento mais vasto e universal.



Necessidade de explicar


O homem procura integrar e compreender os fenómenos em função do que já sabe e associando-os a dados e explicações já conhecidos.

Um dos objectivos da ciência consiste em através de simplificações e generalizações sucessivas chegar a conceitos explicativos





O homem pode caminhar para Deus?



Um ponto aceite por todos é a inteligibilidade dos fenómenos biológicos. Sem este pressuposto, a ciência seria impossível. As citações de dois grandes sábios definem bem esta afirmação.


Pode-se dizer que o que há eternamente incompreensível no universo é o facto de este ser inteligível

Einstein


A grande maravilha do progresso da ciência é que ela nos revela uma certa concordância entre o nosso pensamento e as coisas e dá-nos uma certa possibilidade de apreender, com a ajuda dos recursos da nossa inteligência e as regras da nossa razão, as relações profundas existindo entre os fenómenos.

Louis de Broglie


Quando procuramos responder à primeira pergunta expressa no quadro de Gauguin – donde viemos? – surge-nos uma dificuldade. Podemos seguir a nossa arvore  genealógica, mas paramos sempre num ser que foi criado por outro, que não  tem a sua origem em si.




A hipótese Deus


A admissão de um Ser que criou o mundo e os seres que nele existem , de uma Causa Primeira a que geralmente se dá o nome de Deus, é uma explicação plausível.

Que valor podemos dar a esta explicação?

A razão poderá chegar à existência de Deus como verdade absoluta?

Colocadas perante Deus, as pessoas tomam atitudes diferentes – concordância, negação, agnosticismo militante, indiferença, indecisão.

Porquê tantas atitudes diferentes?

Porque surgem duas dificuldades insuperáveis.

Em primeiro lugar, para raciocinar Deus, é preciso ter no espírito uma certa noção de Deus pois não podemos pôr em causa o que não conhecemos.


Uma outra dificuldade consiste na natureza das provas.

As provas de Deus são à posteriori – chega-se a Deus pelos seus efeitos. Todavia este raciocínio é muito diferente do utilizado nas demonstrações científicas pois que Deus fica sempre fora de toda a apreensão experimental.  Mais do que um facto demonstrado, Deus aparece como uma hipótese necessária, sem a qual tudo se torna absurdo.


O homem é obrigado a parar na hipótese Deus. Para ir mais longe “é preciso ter fé”. Sem fé surgirá a dúvida.

A certeza de Deus


Perante um juízo, a inteligência pode tomar uma atitude de certeza se adere a uma das alternativas (verdadeiro ou falso) de dúvida se não consegue escolher entre as duas alternativas e de opinião se se inclina para uma das alternativas sem razões totalmente fundamentadas.

A certeza pode surgir por evidência imediata ( o todo é equivalente à soma das suas partes), por uma razão intrínseca quer por dedução (demonstração dos teoremas) quer por indução (leis das ciências naturais) ou por uma razão extrínseca quando se aceita como verdade o testemunho de uma pessoa ou instituição credíveis.



 é a certeza por razões extrínsecas. É a adesão do nosso espírito a alguém a quem damos crédito absoluto. Quando afirmamos que Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia aceitamos os testemunhos da história. Quando aceitamos resultados publicados num jornal científico aceitamos a credibilidade dos autores. Esta fé  surge como uma verdade plausível e evidente mas que pode ser questionada.

É por esta razão se a palavra fé é geralmente reservada para a fé divina, para a verdade revelada por Deus. Embora esta fé seja por definição inquestionável, tem necessidade da inteligência para a compreender. 



Em geral nas igrejas faz-se pouco apelo à razão, à reflexão crítica, à pergunta. Como se a fé não tivesse de conviver com a inteligência, com a duvida e com a pergunta.

Padre Anselmo Borges



revelação está centrada não só sobre a certeza de Deus mas também num conjunto de afirmações sobre a natureza de Deus e as suas relações com os homens, a que se chama mistério. Nas religiões cristãs, a Santíssima Trindade é uma peça fundamental do mistério.






Triumph of Faith over Idolatry, by Jean-Baptiste Théodon (French, 1646–1713). Church of the Gesù, Rome, Italy






Pode-se considerar mistério  aquilo que é completamente inacessível à razão, embora não possamos considerar a fé como a submissão passiva da inteligência. Pode-se adquirir um conhecimento misterial (JEAN GUITON) pois que podemos raciocinar sobre o revelado elaborando uma filosofia misterial. Como dizia S.BERNARDO DE CLAIRVAUX eu creio para poder compreender .








Allegory of Faith, by the Spanish sculptor Luis Salvador Carmona (1752–53). The veil symbolizes the impossibility of knowing sacred evidence directly






Esta mistura de fé e razão obriga-nos a passar da construção ao acolhimento e da evidência à adoração. Associam-se assim a adesão da fé com um engajamento completo e a inteligência da fé implicando uma consciência mais viva do mistério e o desenvolvimento  da sua inteligibilidade.



O homem perante Deus


Várias atitudes possíveis

Há várias escolas filosóficas que admitem a existência de Deus, outras que não
Quer dizer que pelo menos para alguns a razão pode criouhegar à hipótese Deus mas parafraseando Karl Popper para uma hipótese ser verdadeira tem que se considerar a possibilidade da sua refutação.ir Deu
A razão pode levar-nos assim a uma hipótese que não é uma verdade absoluta e não responde ao que é a esta noção tão abstracta e tão difusa
Não admira portanto que se tomem atitudes diferentes perante Deus.

Indiferença

A questão nem sequer se põe – é um tema que não considero e não me preocupa

Negação

É o caso dos ateus  - negam totalmente a existência de Deus

Duvida

Para os agnósticos a razão não pode chegar a até Deus e não há argumentos para aceitar ou recusar

Crença

Há aqui várias matizes:
•          Deus criou o mundo e nada mais (deísmo)
•          A razão não nos permite atingir Deus mas podemos lá chegar pela vontade e pelo sentimento (fideísmo)
•          Crença num Deus criador e pessoal

A religião e os avanços da ciência

A história está cheia de conflitos entre a ciência e a fé
A Igreja tem-se agarrado a interpretações literais, adaptando-se lenta e dificilmente aos avanços da ciência. Transformou raciocínios de uma filosofia misterial, portanto falível, em definições infalíveis

O cientista e Deus

O trabalho do cientista será incompatível com a ideia de Deus? Será necessário dizer como Pasteur :
Eu quando entro no laboratório ponho a bata e deixo Deus ou como um prémio Nobel que ao lhe perguntarem se acreditava em Deus respondeu – claro que não, sou um cientista.
Eu penso que a ciência e Deus não são incompativeis, antes pelo contrário. O cientista crente terá que decidir criteriosamente o que é verdade de fé e o que é uma filosofia misterial transformada em regra absoluta.
Por outro lado, pelo menos para mim, a investigação é uma fonte permanente de contemplação ao observar as maravilhas ,por exemplo, do corpo humano como uma máquina tão perfeita e complexa.
Ao observar a evolução vemos a natureza caminhar para uma perfeição cada vez maior. Este é um caminho que nós tambem somos obrigados a percorrer

DEUS FALA AOS HOMENS
A revelação

Insuficiencia da abordagem racional de Deus
Revelação
Intervenções extraordinárias de Deus

A consideração das provas da existência de Deus podem-nos levar facilmente a aceitar que Deus existe, mas não nos respondem cabalmente ao que Deus é, fazendo parecer que estamos a lidar com uma entidade abstracta. Isto passa-se porque sendo nós finitos e Deus infinito não nos é possível superar esta diferença de escala.
Parece-me que por vezes é menos triste de não crer em Deus do que crer num Deus mecânico, geómetra e físico.
Bernanos
Só podemos ter uma noção perceptível de Deus, se Deus nos falar, revelando-se, e se nós aderirmos a essa mensagem pela fé.





The Hand of God1896
marble carved by Soudbinine in 1902



Revelação
Na linguagem comum a palavra revelação define algo que surge bruscamente como novo e inesperado – revelou-se um jogador de futebol, a imprensa publicou “revelações inesperadas” por alguém ou revelou-se um novo facto científico.
Todavia, o significado etimológico adapta-se perfeitamente à revelação divina. De facto, revelar, etimologicamente vem do latino  revelare e significa correr o véu que encobre um objecto e nos impede de o ver. Com a revelação Deus abre este véu para nos dar  alguma ideia de si próprio e da sua grandeza de um modo totalmente inacessível pela razão. A descrição bíblica da revelação de Deus a Moisés mostra bem a apresentação do mistério como o retirar do véu que encobria a verdade.  
Todas as religiões conhecidas afirmam-se fruto da revelação e não um sistema filosófico. Revelação significa sempre intervenção gratuita de Deus que deste modo se faz conhecer aos seus fiéis.
As relações do homem com Deus não são fundadas sobre a ordem puramente natural, mas sobre uma ordem mais íntima e profunda que põe directamente em contacto a personalidade humana e personalidade divina.
Lacordaire
fé não é mais que a crença na revelação. Os mistérios são as  noções contidas na revelação. A filosofia misterial  consiste na aplicação da razão aos mistérios para compreender e desenvolver o seu significado sem alterar o  conteúdo  e o  carácter revelado
A filosofia misterial não leva a verdades absolutas e imutáveis pois como todo o fruto do raciocínio humano são falíveis e não poderão ser transformadas em dogma
A palavra de Deus

Deus fala aos homens? O homem necessita que Deus fale com ele? A resposta a estas questões só pode ser afirmativa. Necessitando o homem de sinais para comunicar, para ele é impossível entender e materializar noções abstractas, em especial se elas  põem em confronto a sua finitude com a infinitude de Deus.
Deus falando aos homens pela revelação num acto de comunicação dà-Se a conhecer num discurso que apesar de envolver noções incompreensíveis, é acessível ao homem podendo permitir  a aderência profunda a este discurso pela fé.
Fé e razão
Vendo as coisas deste modo, fé e razão não são dimensões separadas e heterogéneas mas são realidades vitalmente unidas na alma do crente.
Na fé o decisivo é a identificação total com a verdade  revelada. A palavra de Deus coincide com o acto de fé.
Vias da revelação
Discute-se se Deus fala com todos e só alguns o ouvem ou se fala apenas com alguns. Esta distinção parece-me irrelevante, pois só tem fé quem  ouviu e acreditou. Muitas vezes esta intervenção é tão simples e discreta que pode passar desapercebida. Trata-se de uma fé inabalável revelada sem consciência clara de qualquer intervenção directa. No meu caso pessoal, lembro-me que de um momento para o outro passei a acreditar, sem ter consciência clara de qualquer  intervenção divina.
Algumas vez sente-se uma intervenção directa de Deus, podendo por vezes esta ser  directa, clara, violenta. É o caso por exemplo de o aparecimento de Cristo a um dos homens que mais o perseguia, Paulo de Tarso.



Quadro de CARAVAGGIO  



The Conversion of St Paul
-Quadro de ESCALANT
Intervenções extraordinárias de Deus

Em certos momentos, normalmente críticos, Deus manifesta-se a pessoas, através de mensagens, encarregando-as de as difundir. Foi o caso já falado dos aparecimento a Paulo de Tarso como foi também o seu aparecimento a Moisés, entre muitos outros

Às vezes este aparecimento é  acompanhado da concessão de poderes especiais,  como o dom de falar línguas concedido aos Apóstolos, as profecias e os milagres
Os textos da Revelação
Todas as religiões tiveram a sua origem numa revelação de Deus. O conteúdo da Revelação é registado em Livros Santos, que são como que o código sagrado da verdade revelada.


Os maus usos da fé

Ignorancia e fé
Dissecão de cadáveres
Copernico e Galileu
Evolucionismo
Fundamentalismo religioso

Ignorância e fé

Por vezes os dogmas não têm sido compreendidos e expostos segundo o seu verdadeiro conteúdo, assim como se tem confundido tradição com verdade religiosa. Simples opiniões difundidas numa determinada época foram consideradas verdades de fé. Já SÓCRATES foi condenado à morte por uma situação destas .



Quadro de J.L. DAVID

Esta estranha associação entre ignorância e um conceito errado de fé foram em determinadas épocas um grande entrave para o avanço da ciência e a evolução do pensamento. Vejamos alguns exemplos.

Dissecção de cadáveres

A dissecção de cadáveres já se praticava em Alexandria no tempo dos Ptolomeus. ERASISTRATO (310-250 AC) e HERÓFILO (335-285 AC) deviam os seus conhecimentos anatómicos às autópsias que efectuaram.
Todavia estas práticas deixaram de se efectuar, e a anatomia galénica já era baseada exclusivamente na dissecção de animais. No início da Idade Média as dissecções humanas estavam proibidas devido à crença na ressurreição da carne e ao medo inspirado pelos cadáveres. Foram necessárias muitas lutas e muita perseverança para se chegar até VESÁLIO.





Copérnico e Galileu

Durante catorze séculos foi aceite como indiscutível o modelo proposto por Ptolomeu para explicar o movimento dos astros, chamado geocêntrico por considerar que a terra estaria imóvel e todos os astros se moveriam sobre a terra segundo um sistema combinado de circunferências excêntricas e de epiciclos.
No século XVI  COPÉRNICO no livro Revolução das órbitas celestes, dedicado ao Papa Paulo III, propôs um sistema heliocêntrico em que o sol estaria imóvel e a terra se moveria à volta do sol, a lua à volta da terra e os outros planetas à volta do sol. Este sistema pondo em causa conhecimentos aceites como definitivos e “ desvalorizando” o papel central da terra no Universo, suscitou muitas criticas, nomeadamente de TYCHO-BRAHE,  o maior astrónomo da época e de LUTERO que o apelidou de louco. Todavia a sua ideia foi bem aceite por altas personalidades da Igreja como o Cardeal SCHONBERG  que se propôs mandar copiar o livro à sua custa e o Bispo TIEDMAN GIESE que lhe encontrou um editor.


Obra de Cyprian Godebski

GALILEU abraçou com entusiasmo essa ideias. Numa polémica com SOZZO e IDELLE COLOMBE  que acusaram o sistema de COPÉRNICO de contrariar as Escrituras, GALILEU para os combater fez uma exegese pessoal da Bíblia. O Santo Ofício, pressionado pelo grande número de heresias existente sobre a Bíblia, condenou GALILEU e proibiu a leitura do livro de COPÉRNICO, interdição que levantou quatro anos depois.

Galileu e a inquisição
Quadro de BANTI





Quadro de ROBERT-FLEURY

Do lado protestante apareceram reacções iguais. A Universidade de Teologia Protestante de Uppsala após um julgamento solene condenou NILS CELSUS  por ter defendido as ideias de Copérnico e proibiu-o de ensinar durante quarenta anos.


Evolucionismo

Quando DARWIN defendeu o evolucionismo, as suas ideias foram mal aceites, particularmente por protestantes que as consideraram contrárias às Escrituras.







Miguel MIGUEL ANGELO- Criação de Adão
Nos Estados Unidos, particularmente nos Estados do Sul, mantém-se uma polémica entre os criacionistas (os que seguem literalmente a versão bíblica da criação) e os evolucionistas. Tornou-se célebre devido à sua divulgação nos mass-média a condenação em 1925 de John Scopes pelo tribunal de Dayton (Tennessee) por ensinar o evolucionismo. Em 1981 o juiz Overton em Little Rock (Arkansas) após ter ouvido um grande número  de especialistas decidiu que o criacionismo não poderia ser considerado como uma hipótese científica válida e assim não poderia ser ensinado como verdade científica, por ser contra o princípio da liberdade religiosa. Pela mesma razão condenou o balanced treatment (tratamento equilibrado) ou seja o ensino simultâneo do criacionismo e do evolucionismo. Todavia o Kansas School Board of Education retirou o ensino obrigatório do evolucionismo das escolas públicas e George Bush Jr., retomou a ideia do balanced treatment com o nome de morality based education.




Darwin’s Transhumanisitic Theory of Evolution


Estes exemplos demonstram como a ignorância associada ao poder temporal da Igreja ou do Estado pode dificultar o avanço das ideias e da ciência. Também se pode passar o mesmo nos meios científicos. Algumas vezes atitudes intransigentes de cientistas altamente conceituados impediram o avanço de novas ideias.


Fundamentalismo religioso

O fundamentalismo religioso é certamente o exemplo mais evidente e mais lamentável de uma má interpretação e uma má utilização da fé. O raciocínio levando ao fundamentalismo é muito simples – a fé dá-me a certeza de possuir a verdade divina; por conseguinte se eu tenho a verdade absoluta, os que não têm a minha religião são hereges.
Já os romanos tratavam por bárbaros os que não tinham a mesma religião e a mesma cultura e chegaram a massacra-los, mas foi com o advento do cristianismo que o fundamentalismo se generalizou. Começou com perseguições generalizadas aos cristãos mas quando o cristianismo se tornou poder, a situação inverteu-se.
Em 313, CONSTANTINO proclamou pelo edito de Milão a liberdade de culto. Com TEODÓSIO, em 380, o cristianismo tornou-se religião de Estado. Chegou rapidamente a tentação da Igreja utilizar o braço secular para combater as heresias e de os imperadores utilizarem a Igreja para aumentar o seu poder através de um religião unitária. A jurisprudência pagã não distinguia a autoridade civil da autoridade religiosa. CONSTANTINO promulgou um primeiro decreto contra as heresias a que se seguiram outros promulgados pelos imperadores que lhe sucederam, decretos reunidos mais tarde num Codex. Inicialmente estes decretos permitiam várias sanções mas raramente a morte. Era missão dos bispos pronunciarem-se sobre a heterodoxia e dos juízes promulgar a sentença. Pouco a pouco os bispos foram assumindo poder temporal como foi o caso de ARIBERTO, bispo de Milão, que ocupou o castelo de Monfort e prendeu e supliciou os hereges.

É particularmente interessante considerar o que se passou na Península Ibérica. No reino dos Godos observou-se sempre uma aliança completa entre a Igreja e o poder temporal. Antes de chegarem ao Ocidente, os godos tinham-se convertido ao cristianismo. No fim do Século IV converteram-se ao arianismo tendo começado imediatamente a discriminação contra os cristãos até ao ponto do rei Leovigildo ter procurado impor o arianismo ao seu povo. Quando o seu filho Hermenegildo, cristão, se revoltou contra  ele, este dispôs-se a perdoá-lo se ele abjurasse a sua fé, tendo sido morto por se ter recusado.







F. HERRERA- Triunfo de S. Hermenegildo

Após a conversão de Recaredo  ao cristianismo a maior parte da população abraçou esta religião e as perseguições viraram-se contra os judeus. Os concílios de Toledo confirmaram esta política.
Após a conquista da península pelos árabes surgiu uma época de tolerância religiosa que só não foi seguida pelas duas últimas dinastias, os almoravidas e os almoadas. Esta tolerância continuou a ser praticada pelos cristãos após a Reconquista ao contrário da política seguida por outros povos cristãos, como os francos.
Esta tolerância manteve-se até ao século XIII altura em que, devido à heresia cátara, nomeadamente a albigense, a Igreja chamou para si o direito de punir pela morte os hereges, nomeando inquisidores que actuavam com aval da sociedade civil.

As cruzadas são um outro exemplo de fundamentalismo




Cerco de Antiõquia durante a primeira  cruzada


Cruzados frente a Jerusalem

A Inquisição foi criada em 1220 e a tortura autorizada .em 1225. A justificação teológica foi dada por S. Tomás de Aquino.

É mais grave corromper a fé, que assegura a vida da alma, do que falsificar moeda que permite sobreviver à vida temporal. Por consequência, se os falsificadores são imediatamente condenados à morte pelos príncipes seculares, por maioria de razão os hereges que estão convencidos da sua heresia poderão não só serem excomungados mas também com toda a justiça condenados à morte.

Em 1478 o papa SISTO IV a pedido dos Reis Católicos aprovou a instalação da Inquisição em Espanha que mais tarde se estendeu a Portugal. O papa Paulo III confirmou a constituição da Companhia de Jesus.



P. BERRUGUETE-  S. Domingos presidindo a um auto de fé

GOYA – Inquisição


LUTERO indignado com a venda de indulgências e a corrupção da Igreja escreveu um
texto altamente crítico. Como resposta o papa LEÃO X ordenou que fossem queimados todos os escrito de LUTERO. Foi criado assim o maior cisma as igreja cristã e mais      uma vez a intolerância esteve na sua génese.

Todavia e Reforma surgiu como um novo foco de intolerância. CALVINO com a ideia da predestinação absoluta governou Geneve com autoridade e tomou atitudes extremas com a morte pelo fogo de Michel Servet. Esta intolerância espalhou-se pelos países de maioria protestante.




USSI – Execução de Savonarola





Hogenberg
The Calvinist Iconoclastic Riot of August 20, 1566





J.D. Zunner




Dois padres pedem a um herético para se confessar depois de ter sido torturado


Circa 1500, A prisoner undergoing torture at the hands of the Spanish Inquisition. Monks in the background wait for his confession with quill and paper




Porquê o fundamentalismo?

O fundamentalismo tem estado associado aos regimes políticos absolutos. Tratou-se de uma aliança contra natura apenas compreensível pela filosofia política da época. Tenhamos presente que a palavra tolerância entrou no nosso vocabulário apenas no Renascimento, devido a LOCKE.

MOISÉS, CRISTO E MAOMÉ  representam as três religiões monoteístas mais seguidas representado muitos milhões de crentes, religiões que se poderiam ter inspirado parcialmente do monoteísmo solar do século IV AC.

Todas estas crenças serão falsas? Haverá só uma verdadeira? Julgo que temos que aceitar a fé de quem acredita, seja que religião for. Provavelmente a limitação da nossa inteligência e as diferentes culturas e tradições impedem o homem de er Deus em toda a sua grandeza, conseguindo ter apenas visões parcelares não totalmente semelhantes mas todas capazes de levar a uma fé absoluta.
Por esta razão todos os crentes deveriam amar-se, respeitar-se como irmãos e procurarem compreender-se.

É totalmente incompreensível como o fundamentalismo continua neste século – fundamentalismo árabe, ETA, IRA, limpeza étnica, continuando a observarem-se ideias erradas e deturpadas de fé associadas a abusos de autoridade em domínios religiosos, filosóficos, políticos e mesmo científicos. É importante reflectir como isto é possível num mundo que se intitula democrático e solidário, respeitando a ideias e a dignidade dos outros.

CONCLUSÃO

Vimos como a partir do inteligível o cientista pôde chegar à hipótese Deus e como a fé pode transformar a hipótese em certeza. Vimos como a fé não esclarecida se pode misturar com a ignorância e como uma fé mal compreendida pode levar ao fanatismo.
O cientista crente será um cientista diferente dos outros? Certamente não esperará uma intervenção miraculosa de Deus na sua vida científica. Contudo sente que o seu trabalho o leva a descobrir e a participar nas maravilhas da obra de Deus, sentirá uma alegria em conhecer que aumentará a sua perseverança, o seu rigor e a sua responsabilidade e sentir-se-á chamado para colaborar a sacralizar um mundo dessacralizado.
   
O que fomos? Donde viemos?


A criação do mundo e dos animais segundo a Genesis

A Genesis atribui a Deus a criação faseada do mundo e dos animais

Criação dia 1 – separação da luz das trevas



GUSTAVE DORÉ



Dia 2- Divisão das aguas










Dia 3 - Terra, mar, plantas, frutos






.Dia 4 – Sol, lua, estrelas, noite e dia
.




MIGUEL ANGELO


Dia 5 – Peixes  e aves














6º Dia – Criação dos animais terrestres







Criação do homem 


Então o  Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida
Gn2-7




Quadro de ALLORI



/

Criação do homem ( 6º dia)


Então o  Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida
Gn2-7





LUCAS CRANACH








MIGUEL ANGELO


Criação de Eva






The Creation of Eve (Russian Lubok woodcut, 1792)




LORENZO MAITANI


O evolucionismo

Esta criação do mundo, tal como relata na Genesis é uma historia ou   é comprovada pela ciência?

A resposta é clara – na continuação dos trabalhos de  Darwin é um facto insofismável que a formação do homem e da mulher são fruto da evolução

EVOLUCIONISMO - Links



Textos


Historia





Altruismo biológico


Bigbang


Biodiversidade
Cosmologia
Criacionismo
Determinismo
 Evolução e DNA mitocondrial

Evolução do genoma



Evolução molecular










Genetica evolutiva

Local de nascimento do homem
Macroevolução
Origem das células
Paleoneurologia
Paleonutrição
Sintese dos prebioticos
Teleologia
Termosintese
Transições evolucionarias



A GERAÇÃO DE CRISTO


Os mistérios são por definição inexplicáveis pois caso contrário deixariam de ser mistérios.

Nada nos impede de reflectir sobre eles com a certeza que nunca os compreenderemos na  totalidade.

É o caso da geração de Cristo. O evangelho fala da gravidez de Nossa Senhora e do arcanjo  Gabriel

Sabemos que a gravidez correu normalmente e que Cristo se desenvolveu como as outras crianças.

Mas surge uma questão inevitável. Como foi feita a fecundação? Surgem-me três hipóteses:

1 – Cristo  resultou duma relação normal, tendo deus acrescentado à criança  características divinas

2 – Deus provocou a divisão do ovulo sem ter havido fecundação

3 – Trata-se de uma intervenção de Deus totalmente incompreensível à nossa capacidade de seres pensantes

Qual a hipótese mais plausível?


A primeira pode cair logo por uma razão histórica – parece que Maria  e José pertenciam a um grupo que  praticava o casamento branco.

Para a primeira e segunda hipótese teremos que considerar que Cristo teria um património   genético que para lá de ser condicionante é incompatível de ter sido um acrescimo

a alguem que já existia e iria continuar a existir.

Parece-me que a terceira hipótese é a única exequível. Cristo existe na eternidade  - já era, foi  e será. A sua presença na terra foi apenas um episódio. É portanto mais logico que não tenha sido gerado, o que não faria sentido  para quem sempre existiu, mas que tenha sido simplesmente sido albergado no corpo de Nossa Senhora.

Terá sido assim? Mistério é mistério e nunca poderemos penetrar nele.





Como dissemos, o crente sente a necessidade de se ligar a Deus, através de sinais sensíveis. Este vínculo de dependência que liga o homem a Deus é a religião. A palavra religião provirá possivelmente de religare, que quer dizer ligar, e significaria assim o laço que prende o homem a Deus.

No cristianismo essa experiência do Sagrado(…)necessita também de uma tradução doutrinal e , sendo vivida comunitariamente, portanto em Igreja, requer um mínimo de organização intistucional

Padre Anselmo Borges

Todavia, como insiste o padre Anselmo Borges o interesse de Deus são homens e mulheres vivos. Portanto a concentração na doutrina e na instituição, podem levar a distorsões da mensagem

Liturgia

São cerimónias exteriores pelas quais o homem manifesta publicamente o seu vínculo com Deus. A celebração litúrgica é a celebração cultual essencial que torna real a presença de Deus entre os homens. Esta celebração dos mistérios deverá ser feita por consagrados e exige um espaço próprio de arquitectura apropriada.


Ficheiro:La Comunión (Eugenio Lucas Velázquez).jpg

A liturgia tem evoluído pouco através dos  tempos, devendo-se a ultima reforma profunda  a S.Tomás de Aquino. Penso que embora mantendo a sua estrutura fundamental, dever-se-iam introduzir algumas reformas pontuais nos textos e cânticos para se identificar com a nossa cultura moderna e permitir maior aderência e compreensão dos fieis.

Oração

A oração é a forma de diálogo por excelência do homem com Deus. Pode ser silenciosa como um diálogo mental com Deus, ou oral, assim como pode ser privada ou pública. Em todos os casos o homem dirige-se a Deus para lhe agradecer, para lhe pedir conselho ou ajuda e essencialmente para se sentir próximo dele.


A Hermit at Prayer | Gerrit Dou | oil painting


Meditação

File:Nicolaus von Leyden, Self-portrait2.JPG

File:Brooklyn Museum - Man Meditating in a Garden Setting.jpg
File:Stage1.gif

Contemplação e adoração
File:Toft-spirit-of-contemplation-statue-vbig.jpg


NÓS SOMOS PECADORES PERMANENTES?

Durante muitos séculos, devido essencialmente à influencia de S.Agostinho pensava-se que  as crianças nasciam com o pecado original como marca indelével dos actos cometidos por Adão e Eva. O pecado seria apagado pelo baptismo e os não batisados iriam para o limbo.

Julgo  que estas ideias estão abandonadas.

A existência do limbo já foi suprimida pela Igreja

Quando ao pecado  original a ideia parece-me inaceitável. Custa a compreender que se pudesse pensar que um Deus que acima de tudo é misericordia e amor imponha um castigo eterno atingindo quem não o cometeu.

O pecado original terá existido mesmo ou será uma metáfora? Num capitulo dedicado a este tema, conclui que era uma metáfora significando  a  atribuição  ao homem a consciência com a consequente liberdade de escolha entre o bem e o mal.

A liberdade de escolha pode implicar más opções e a escolha do mal. Mas pelo facto de o homem poder escolher o mal implica trata-lo como pecador permanente, como aparece enunciado em muitas orações – Santa Maria Mãe de Deus rogai  por nós pecadores (Ave Maria) degradados filhos de Eva (Salvé Rainha) e na própria confissão recitada na missa?

É evidente que não existe um homem que nunca pecou. Os actos cometidos podem afectar o próprio, os próximos, a comunidade e, evidentemente, as relações com Deus.

O que fazer? A única solução possível  é o arrependimento,  a reparação do mal feito  se for possível e um desejo forte de não repetir.

O pecado é essencialmente uma ofensa a um Deus que nos ama. Por isso numa situação destas temos que nos dirigir a Deus para pedir desculpa mas acima de tudo para nos  dar força e discernimento

Muitas vezes fica no pecador um sentimento de remorso, de angustia que não passa. Nestes casos a confissão pode ser um auxiliar precioso. Ao expor a alguem preparado o que vai no nosso intimo e receber um perdão explicito de Deus, a angustia é substituída pela tranquilidade e por um desejo de ser melhor.

A atendendo a que o desejo da confissão resulta de um sentimento pessoal do próprio, parece-me que a sua frequência não deve ser calendarizada  nem obrigatória

Será que o homem é um pecador permanente? Certamente que não. A vida do homem estará certamente cheia de  opções lamentáveis de que se arrependeu mas deverá estar cheia de boas acções que mostram o seu amor  a Deus e ao próximo.






A LIBERDADE HUMANA E AS OBRIGAÇÕES DO CULTO

Embora toda a pregação de  Cristo dissesse respeito ao amor ao próximo e no amor a Deus, não apresentou códigos de comportamento detalhados e obrigatórios. Os fariseus seguiam códigos de conduta muito extensos que seguiam escrupulosamente pensando que o cumprimento  rigorosamente destas regras lhes garantiria a vida eterna. Este comportamento foi duramente criticado por Cristo que os chamou hipócritas por se esquecerem que a verdadeira fé representa uma escolha livre que para lá das regras implica o amor ao próximo e o amor a Deus.
Dos ensinamentos de Cristo só se encontram dois   textos que poderão ser considerados códigos conduta embora sejam propostas de comportamento – o Sermão da  Montanha e uma oração, o Pai Nosso, Estes textos não são uma lista de obrigações mas sim sugestões para seguir uma vida melhor. O seu conteúdo é bastante consensual e Cristo , propondo uma escolha , respeita a liberdade do homem.
Os primeiros cristãos tiveram que organizar o culto pois o único acto cultual que Cristo deixou foi a Eucaristia.
Reuniam-se na casa de um deles para partilhar uma refeição e celebrar a Eucaristia com pão e vinho como na Ultima Ceia. Não  estava estabelecido o  seu caracter obrigatório mas a fé era grande como era próprio das religiões  perseguidas.
Com a conversão de Constantino, tudo mudou. O culto passou a ser exercido publicamente em espaços próprios,as igrejas. O grande  numero de fieis levou a substituir o pão e o vinho pela óstia  consagrada.
Como apoio dos imperadores a igreja tornou-se poderosa, embora muitas vezes através dos tempos tenha exercido este poder de um modo não cristão –perseguição aos heréticos por vezes  com guerra e pena de morte, cruzadas, inquisição,  excomunhão.
Através dos tempos a razão do culto era não só o amor de Deus mas essencialmente o medo de um Deus mais castigador que misericordioso.
Foram criadas obrigações , com a ameaça do purgatorio  e do inferno após o juízo final criando-se assim um certo farisaísmo – o importante é cumprir as regras, esquecendo que a religião é acima de tudo motivada pelo amor a Deus
Os cinco mandamentos da Santa Madre Igreja são uma consequência desta mentalidade. Recordemos e analisemos esses mandamentos:
1.Participar na missa aos domingos e dias santos de guarda e abster-se de trabalhos e actividades que impeçam a santificação desses dias. Se fosse uma sugestão seria uma proposta mais que razoável. Seria até  bom que quem pudesse fosse todos os dias à missa porque esta é o memorial de Cristo
Um acto desta natureza não deveria ser obrigatório- faz-se livremente por amor, não por imposição.
2. Confessar os pecados pelo menos uma vez  por ano. Já abordamos este tema no capitulo anterior. Um cristão deverá confessar-se quando sentir necessidade.
3. Comungar pelo menos na altura da Pascoa. Considero que o ideal seria comungar em todas as missas mas, evidentemente, por decisão própria e não por obrigação
4.Abstinencia e jejum nos dias determinados pela Igreja. Devo dizer humildemente que não aceito esta regra nem compreendo a sua razão de ser.
A regra não é igual para todos pois logicamente não se aplica na integra aos vegetarianos e não afecta os que gostam mais de peixe do que de carne.
Por outro lado  poder-se-ia ficar livre desta obrigação comprando indulgencia, o que para lá  de ser uma medida incompreensível, torna esta medida obrigatória apenas para os pobres.
É bom recordar que  a oposição de Lutero às indulgencia foi o factor desencadeante do protestantismo.
5.Atender às necessidades materiais da Igreja. Tambem aqui a medida deveria ser voluntária.

A transformação destes mandamentos em sugestões para serem seguidas voluntariamente, implica um grande esforço educativo da Igreja na explicação destas sugestões e  o abandono da ideia do Deus castigador para a de um Deus misericordioso que tem por nós um amor  infinito

A LITURGIA E O PECADO

Na liturgia o homem é frequentemente tratado como um pecador permanente.

Basta lembrar alguns textos da missa e algumas orações
A missa começa por uma confissão colectiva em que nos confessamos a Deus por todos os pecados que fizemos. Mas será que todos os fieis pecaram nos dias que vão à missa para nesse dia ter que pedir perdão a Deus?
A frase final da Avé Maria diz “ Santa Maria mãe de Deus rogai por nós agora e na hora da nossa morte
A Salvé Rainha chama-nos degradados filhos de Eva vivendo neste vale de lágrimas
Será que estes textos e muitos outros  consideram que o homem é um pecador permanente,  a não ser que o apague na confissão embora tenha a certeza que rapidamente cometerá um outro?
Todas estas afirmações estão baseadas na doutrina de S.Agostinho que considera  que todos nasceram com a marca do pecado original. Esta afirmação não é compatível com um Deus misericordioso que nos ama profundamente mas pelo contrario se apresenta como um Deus vingativo que nos castiga por um acto que não fizemos. Alem disso duvido que o pecado original tenha existido tal como está descrito na Biblia(http://ohomemedeus.blogspot.pt/2012/07/o-que-somos-como-vivemos-o-pecado.html)
O que pensar? Deus criou-nos para o amarmos mas deu-nos a liberdade de escolha entre o bem e o mal. Esta escolha implica grandes combates em que para os vencermos teremos que nos fortalecer pelo exemplo da vida dos santos e pedindo a ajuda de um Deus que acima de tudo é amor
O juizo final não será um julgamento de corpos ressuscitados mas a escolha das almas  puras já preparadas para contemplar Deus e as que  não estão necessitarão de um período de purificação 

ARIANISMO


A ideia fundamental do mistério da Santissima Trindadex- Cristo  Deus, Cristo-homem na mesma pessoa é totalmente incompreensível para o espirito humano, ou não fosse um mistério.

Alguns autores olharam apenas para um lado da verdade, humanizando Cristo, deificando Cristo ou considerando  Cristo uma criação de Deus.

Para Ario Deus e Cristo não seriam consubstanciais, mas  seria uma criatura, a mais excelsa de todas, subordinada a Deus mas não igual e Ele, que não teria o mesmo poder, estando situado entre Deus e os homens.

Na realidade na ânsia de explicar e entender, Ario criou um outro mistério ainda mais difícil de entender que o inicial.

O arianismo, embora criticado ferozmente, expandiu-se na Alemanha e através dos visigodos penetrou na Peninsula Iberica.

A controvérsia criada e a guerra desencadeada não foi um bom exemplo de caridade, dialogo e tolerância e criou uma grande

Confusão entre os cristãos onde se misturaram questões religiosas e questões pessoais, tudo isto por se tentar explivar o inexplicável.












































 




























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